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Victor Klemperer

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O professor doutor Victor Klemperer, alemão, (nascido a 9 de Outubro de 1881 em Landsberg an der Warthe, falecido a 11 de Fevereiro de 1960 em Dresden) foi um professor universitário de filologia românica na Universidade de Dresden até que foi demitido de suas funções em 1935, dois anos depois da chegada ao poder de Hitler. Foi um dos poucos habitantes de Dresden de origem judaica que sobreviveram ao Holocausto sem terem fugido para a Palestina, os Estados Unidos ou outros refúgios.

Conteúdo

O Diário de Victor Klemperer

Victor Klemperer tornou-se famoso pelo diário que ele manteve relatando a sua vida em Dresden nos anos do nazismo, um período crítico da história da Alemanha. Trata-se de um documento histórico de grande valor, no qual podemos hoje ler detalhadamente as chicanas, os insultos, as cuspidelas na cara, proibições, prisão, o roubo da sua propriedade e outras humilhações que as autoridades nazis e a grande massa dos alemães "arianos" lhe infligiram pessoalmente todos os dias. Lemos também aquilo que se passou com os seus concidadão judeus que por um motivo ou outro não fugiram da Alemanha (a maioria não conseguiu obter os vistos de autorização), e ficando na Alemanha tiveram menos sorte do que ele, sendo deportados para os campos de extermínio, ou, incapazes de aguentar a opressão, cometeram o suicídio.

Victor Klemperer nem sequer era judeu, era protestante. Mas seus pais eram judeus, desde logo o suficiente para que tivesse que usar a estrela de David ao peito, fosse obrigado a assinar todos a correspondência e documentos oficiais com o nome "Victor Israel Klemperer", ficasse proibido de possuir animais de estimação, de frequentar a biblioteca pública (o seu pior tormento e o fim da sua produção literária académica), ou mesmo de ir ao cabeleireiro. A sua sorte foi ser casado com uma mulher protestante, que o acompanhou no destino trágico, vivendo no quarto do marido na "casa dos judeus", tendo sido chamada de prostituta, esbofeteada pelas autoridades nazis, que revistavam frequentemente os aposentos.

A salvação

 
Graças ao casamento "misto" (a expressão usada pelos nazis para se referirem a casais dos quais só uma pessoa é de origem judaica), Klemperer não foi deportado como a maioria dos judeus, apesar de não ser seguro que isso não iria acontecer. Em 1945, quando Dresden é bombardeada, Klemperer aproveita-se do caos nas ruas e desfaz-se da sua estrela de David, fazendo-se passar por "ariano". Foi a sua salvação. A muito custo, conseguiu evitar ser denunciado, juntamente com a mulher permanentemente em caminhada pelas cidades alemãs semi-destruídas. Apesar de continuar a existir polícia secreta e execução de desertores ou de judeus que não usassem a estrela de David, a organização das autoridades nazis já não era tão eficiente de forma a que pudessem confirmar a verdadeira identidade de Victor Klemperer e sua mulher. Aguentaram neste estado o tempo suficiente até que o exército americano libertou a pequena povoação onde se encontravam.

A linguagem do 3ro Reich

Victor Klemperer faz também uma excelente análise da linguagem típica destes anos, expressões comuns nos discursos de líderes nazis como "total" (guerra total) "eterno", "democrata de cunho judeu". Relata pormenores do dia-a-dia, incluindo anedotas que cursavam sobre Hitler e o terceiro reich. Tal como: Hitler, o católico, decidira recentemente instaurar um novo feriado nacional chamado "Maria denunciata" (ou "denunciação").

Citações

Obra

Em alemão

Ver Também

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Categoria:Escritores da Alemanha Categoria:Filólogos

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